O RELATO de Casos ufológicos feitos por suas testemunhas
por Sérgio Almeida, pesquisador
Introdução
O RELATO de um Caso ufológico, obtido da(s) testemunha(s) do referido Caso, será sempre o documento mais importante dentre o conjunto de outros eventuais documentos, levantamentos, pesquisas e informações complementares que surgirem posteriormente ao levantamento inicial de dados da ocorrência.
O relato é tal qual um depoimento feito para a polícia quando de uma ocorrência a ser investigada e que deverá ser posteriormente checada, detalhe por detalhe, na intenção de se chegar à conclusão (à verdade, enfim) a respeito do fato.
O relato produzido a partir de entrevista com a(s) testemunha(s) da ocorrência pode se demonstrar “incompleto” com o tempo, e o fato de uma ou mais testemunhas se lembrarem de detalhes da ocorrência não informados antes não descaracterizam o RELATO original, mas esse fato (“esquecimento”) precisa ser avaliado posteriormente e de forma detalhada, especialmente quanto ao seu porquê.
Durante o registro – que deve ser sempre escrito e, se possível, também reforçado por áudio e vídeo – o pesquisador deve prestar atenção ao GESTUAL da(s) testemunha(s) que compõe-se de vários detalhes: desde olhares – quanto ao seu direcionamento durante a fala, movimentos dos olhos, piscadelas, movimento(s) da cabeça, movimento das mãos, movimento(s) do corpo, durante a verbalização de determinadas palavras ou expressões, entonações na voz, detalhes esses, na maioria das vezes involuntários, mas que revelam ou podem revelar sinceridade ou não da testemunha com relação à situação vivenciada. Tais detalhes deverão ser checados com o tempo. Naturalmente que a experiência do pesquisador, e especialmente sua competência para a captação desses detalhes e suas variações, é fator preponderante na qualidade do relatório final.
É importante esclarecer que a aptidão para a percepção de detalhes da estória é um atributo fundamental do pesquisador/investigador e que nem todos a possuem, tal como, por exemplo, a capacidade de desenhar com perfeição ou a de tocar um instrumento musical, etc. Só alguns conseguem fazê-lo com maestria. Detalho que as observações da(s) testemunha(s) sobre eventual(is) “ser(es)” que acompanha(m) a(s) respectiva(s) nave(s) assim como características dela(s) própria(s) são muito enriquecedores do relato em questão, dados esses tão importantes quanto a(s) própria(s) nave(s) em si.
No meu caso específico, minha experiência, mais voltada às pesquisas de campo com foco no relato de testemunhas, ocorreu a partir de dezembro de 1979, embora eu acompanhasse durante vários anos antes o assunto ‘ufologia’, anotando todos os detalhes possíveis das ocorrências.
De 1979 para cá, acompanhei de noventa a cem casos ufológicos, alguns mais de perto e outros nem tanto, mais pela dificuldade de acesso às testemunhas (muitas fora de minhas áreas geográficas de atuação) ou pelo tempo decorrido entre a ocorrência do Caso e o relato feito pela(s) testemunha(s), o que dificultava a própria exposição do relato, dado o fato de que tais testemunhas não se lembravam de detalhes importantes da ocorrência.
Desse total, apenas um único relato evidenciou uma fraude (meados dos anos noventa em Brasília), o que confere o fato de que as ocorrências dos Casos tinham uma grande probabilidade de serem verdadeiras.
É comum, e nada estranho, a testemunha não revelar certos detalhes do que vivenciou, primeiro, porque simplesmente pode não se lembrar, ainda que tenham decorridos apenas poucos dias da ocorrência, ou até mesmo a indução provocada (por ETs) durante a ocorrência para que tal detalhe fosse propositalmente esquecido pela testemunha. Observei experiências deste tipo tanto com terceiros (testemunhas) quanto as que vivenciei.
Desenvolvimento
Com relação a relatos de Casos ufológicos, detalho a seguir algumas das situações que acompanhei ou diretamente vivenciei ao longo do tempo.

– Comprovação do Caso por evidência direta obtida muito tempo depois de sua ocorrência:
Caso Hill: (a) em janeiro de 1967, quando da divulgação pela primeira vez no Brasil do Caso Hill (Barney e Bete Hill, ocorrido nos EUA em 1961) a partir da informação dos resultados das sessões de hipnose feitas com o casal, de 1964 a 1965, soube do caso e o acompanhei por anos a partir daí; (b) divulgação de catálogo russo de estrelas (1969), detalhando a descoberta astronômica, naquele ano, de estrelas mencionadas na região central do mapa, visto por Beth durante sua estada na A descoberta russa confirmou a proximidade da posição de suas estrelas tal como informado por Beth; (c) elaboração e pesquisa astronômica sobre o mapa visto na nave por Beth Hill (estudado minuciosamente por Marjorie Fish, astrônoma americana) – 1972, descobrindo, depois da elaboração de 27 modelos tridimensionais, a origem extraterrestre daqueles seres; (d) 1997, em congresso ufológico em São Paulo foram apresentados por Stanton Friedman detalhes de toda a pesquisa feita desde 1961 nos EUA sobre as estrelas Zeta 1 e Zeta 2 da constelação do Retículo, confirmando, do ponto de vista astronômico, a veracidade do Caso, ou seja, o relato de Beth e Barney sobre suas abduções era fidedigno graças ao mapa de Beth (desenhado sob hipnose em 1964), detalhe esse que estava lá especificado desde a época de sua ocorrência. Concluiu-se que não havia e não há a menor possibilidade de o mapa desenhado ter sido apenas um produto da imaginação de Beth. Esse mapa, após sua interpretação validou o Caso. No entanto, a “prova dos nove” será a descoberta de um sistema planetário tanto em Zeta 1 quanto em Zeta 2 Reticulo quando telescópios terrestres ou espaciais puderem verificar planetas adequados à vida e suas respectivas órbitas naquelas estrelas.
– Detalhe do Caso mencionado muito tempo depois de sua ocorrência:
Diferente da situação anterior, um detalhe que não havia sido lembrado no relato original (apresentado em programas de TV de meados dos anos setenta) só surgiu algum tempo Convivi de dezembro de 1979 a abril de 1982 com o casal Hermínio e Bianca quando de suas vivências em Brasília; ajudei Bianca na intenção dela de constituir um grupo de estudos de “saída da matéria”, técnica ensinada por Karran (o chefe da tripulação da nave que contatou o casal em janeiro de 1976). Essa convivência era muito frequente, quase diária por algumas vezes naquele período, e, nas diversas palestras proferidas por eles em diversos lugares e em várias ocasiões, acompanhei in loco, e nunca foi dito que na tripulação da nave do Karran havia mulheres. Só vim ter conhecimento desse detalhe quando li o livro escrito por ela: “As Possibilidades do Infinito” (página 87) seis ou sete anos depois da ocorrência do Caso. Na verdade, durante entrevista feita com o casal em 1977 no programa de TV – Flávio Cavalcanti – TV Tupi, essa informação foi dada brevemente por Bianca, de forma quase imperceptível diante de uma pergunta dele. Pode ser que o casal não desse importância para esse detalhe, mas, para mim, era uma informação fundamental e até primária. No entanto, como eu disse, os relatos dos fatos gerais do Caso Hermínio e Bianca nunca entraram ou estavam em contradição com a história principal nas diversas apresentações, palestras e aulas dadas por eles. É possível que o detalhe da “mulher” componente na tripulação tenha sido reportado somente quando da redação do livro, pois, ao redigi-lo, Bianca pode se concentrar em recuperar muitos e diversos detalhes do Caso.
– Comparativo entre situações similares de dois Casos (com mais de 74 anos de diferença entre um e outro):
Durante uma pesquisa de campo realizada em meados dos anos 90 sobre o Caso Lago Norte, ocorrido em Brasília em 1991, alguns detalhes relatados pela testemunha foram registrados, mas, por sua estranheza, não puderam ser corroborados de alguma forma naquela época. Em 2025, ao avaliar um documentário sobre o Caso de Nossa Senhora de Fátima (Portugal, 1917), um detalhe registrado durante essa ocorrência evidenciou haver similaridade com o tal caso da pesquisa de campo realizada nos anos 90 em Brasília apaziguando dessa forma a “estranheza” registrada sobre o Caso Lago Norte. Tal detalhe referia-se à queda de flores do Céu (1917) e bolas de luz do tamanho de bolas de tênis (ano 1991) durante a ocorrência de ambos contatos ufológicos, objetos esses que se desvaneciam poucos centímetros antes de chegar ao solo, o que impedia que as testemunhas os manuseassem.
– Percepção de alteração de ambiente físico havido durante ocorrência:
Durante uma ocorrência noturna (luz intensa de um objeto se deslocando no céu – julho de 2001, MG), a experiência transcorreu “normalmente” se se pode dizer dessa forma e, no dia seguinte, durante o dia, ao passar pelo mesmo local na estrada, a testemunha viu uma colina alta que, por existir ali, teria “tampado” a observação do objeto visto, fato que, no entanto, não foi o que A testemunha viu a trajetória “sem qualquer obstáculo visual” quando isso não teria sido possível. O que teria acontecido ali naquela situação? A colina teria desaparecido (?) para que a observação da tal luz ocorresse sem obstáculos? O relato, no entanto, foi mantido pela testemunha sob a alegação de que durante todo o tempo de observação nada interferiu na mesma. Esse fato, em princípio, poderia induzir a uma situação de dúvida sobre o Caso; no entanto, pelo relato, a trajetória feita deveria registrar tal situação (luz contínua sem interrupção por anteparo) por mais absurda que parecesse. Caso semelhante foi exposto por uma testemunha de uma ocorrência em Piraju – SP (2018)
… a nave pode ser observada de um ponto que não permitiria que tal visão ocorresse, porque havia um anteparo (laje de uma construção vizinha) entre eles. Nesse caso também ocorreu a dúvida: a laje teria “desaparecido” para que a visão ocorresse na sua totalidade ou a visão humana teria se “expandido” para que o fenômeno fosse observado na totalidade mesmo com os anteparos?
– Perda de referencial de local ou tempo de duração durante/após a ocorrência:
Durante uma ocorrência em MG (2023), quando da passagem de uma “sonda extraterrestre (?)”, objeto esférico de uns 40 cm de diâmetro e aparência metálica, a alguns metros da testemunha, a mesma se lembra perfeitamente da situação em si, bem como do próprio objeto (“sonda”) e da região em que ocorreu, mas não se lembrava do local exato em que se encontrava naquela mesma região, quando normalmente não havia como se esquecer disto se não fosse pela “ação de esquecimento provocado” pela tal sonda. Ou seja, um lapso de memória que não tinha como ser resolvido ou recuperado a não ser por hipnose. Algo que conjecturo é que a “perda de memória” pode ser parcial ou total, podendo ocorrer de forma provocada ou, ainda, por falha ou acidente dos contactantes (extraterrestres) quando a intenção original seria a de provocar a perda total de memória. Há casos em que essa explicação parece ser altamente provável. O relatório da testemunha, neste caso, em princípio teria que deixar esse ponto em aberto até que fosse resolvida a dúvida: no caso específico, a determinação do local exato da ocorrência.
– Mescla entre a experiência ufológica e a experiência psíquica/onírica:
Uma ocorrência ufológica pode ser precedida ou sucedida por uma ou mais situações de natureza psíquica ou onírica (sonhos), acompanhada ou vivenciada pela(s) testemunha(s). Ambas as naturezas podem significar uma explicação, esclarecimento ou resolução da outra. Caberá à testemunha entender essa correlação com a ajuda ou não de terceiros. Um período de tempo significativo (dias, semanas, meses, anos) pode existir entre tais experiências. O primeiro relato da testemunha será acrescido, no futuro, pelo relato complementar. Em minha opinião, essa situação composta dessas duas partes decorre fundamentalmente por indução dos contactantes (extraterrestres); no entanto, por uma questão de evolução espiritual, algumas testemunhas podem ter atributos extra-sensoriais tais como telepatia, telecinesia, etc., que ajudam naturalmente no processo de interação entre essas duas partes.
Tenho a particular percepção de que ocorrências do fenômeno (Casos) ufológicos com características simultâneas das duas correntes mencionadas podem ter sugerido, de forma natural e com o tempo, o surgimento tanto da ufologia científica, pela materialidade e ação dos OVNIS e ainda dos seus tripulantes, quanto da ufologia mística com suas características não “materiais” (sonhos, percepções extra sensoriais, etc.), relacionadas ao mesmo evento.
Sobre a injunção do lado psíquico ao da experiência ufológica propriamente dita, lembro- me de um caso ocorrido em Goiânia (2008) sobre a “aparição” de um objeto no céu em uma madrugada (uma luz que ao ser ampliada pelos recursos da câmera evidenciava uma espécie de janela em que aparecia o rosto de um ser), filmado durante vários minutos por um cinegrafista profissional (a testemunha do Caso) com equipamento também profissional (o cinegrafista estava indo para o aeroporto pegar um avião para São Paulo aonde faria um acompanhamento jornalístico). Em um momento posterior, derivado de tal ocorrência, foi feita por mim uma apresentação de cópia daquela gravação para um grupo de pessoas em uma sala na Universidade de Brasília. Estavam presentes alguns pesquisadores do fenômeno, pesquisadores esses vinculados à Universidade, além de outras pessoas, essas sem envolvimento com o fenômeno. Durante a apresentação, não ouvi comentários dos pesquisadores, mas de um dos outros assistentes ouvimos que “aquilo que estava sendo exibido (aparição que se transmutava com o passar do tempo) parecia o “Coração de Maria, da Sagrada Família” e imediatamente correlacionou a visão a uma apresentação religiosa real de tais entidades santas… Um eventual relatório meu sobre tal ocorrência mencionaria estritamente o que foi visto e gravado, ou seja, um objeto no céu não (claramente) identificado, mas certamente algo físico sem mescla com qualquer outro fenômeno, inclusive de natureza religiosa. Com o amanhecer e a claridade do dia chegando, o objeto foi se desvanecendo no ar de forma suave, como fumaça, deixando no céu exatamente uma aparência esfumaçada no local.
– Relatos não concluídos por falta de informação
Lamentavelmente podem ocorrer situações em que o Relato pode não ser completado por alguma circunstância a ser avaliada.
Uma situação desagradável ocorreu em maio de 2013 em Brasília. A testemunha de uma determinada ocorrência fez contato com nosso grupo de pesquisa ufológica por e-mail, após o que a identificamos e definimos o local para o encontro, o mesmo em que deu-se a ocorrência. Estivemos todos lá, inclusive a testemunha, fotografamos e mensuramos a área, verificamos os detalhes da situação, certificamo-nos que, de fato, houve uma ocorrência “estranha” e com bastante riqueza de detalhes, inclusive com a presença de um ser humanoide com comportamento estranho, mas não agressivo. Alguns outros detalhes foram corroborados depois por investigação subsequente. Era um caso relativamente complexo e bastante rico de dados. Tal ocorrência envolvia inclusive o voo de caças da Força Aérea (Mirage 2000) baseados em Anápolis – GO. Só que o assunto foi tomando certa proporção e a testemunha (descobrimos depois ser um militar), bastante sincera e séria, resolveu não colaborar mais, talvez por receio de haver alguma coisa que fosse contra ele por parte de seus superiores (isso não foi dito claramente por ele, mas tivemos forte desconfiança nesse sentido). Aguardamos por um contato posterior por parte dele, o que nunca ocorreu. Lamentei profundamente o resultado do que poderia ser um dos casos ufológicos mais ricos que tivemos na área de Brasília. Esse relato nunca foi concluído, porque precisaríamos da concordância da testemunha com o que foi registrado por nós.
Outras situações e casos relativos a RELATOS ufológicos poderiam ser aqui abordados, mas o foco neste texto, com base nos pressupostos que mencionei nos parágrafos iniciais, é minha avaliação dos relatos das testemunhas do Caso Lagoa Santa (MG).
Conclusão
No final de 2025, analisei as duas entrevistas disponibilizadas no YouTube, feitas em 2020 pelo Sr. Edson Boaventura Júnior, ufólogo, com as testemunhas, irmãs, Paula e Mônica von Sperling, referentes ao Caso de Lagoa Santa (MG), ocorrido em 2018 e mencionado no programa de TV BBB, de 2019. Não tive acesso ao relato feito no programa BBB porque eu não o assisti.
Minha avaliação sobre o Caso Lagoa Santa, conforme o depoimento que avaliei das testemunhas, é o de que ele foi verídico, tendo por base as informações e o comportamento psicofísico das testemunhas. Há diversos detalhes, olhares, gestos, sorrisos e expressões mais sérias em alguns momentos das testemunhas, todas confirmando a ocorrência, sem qualquer dúvida de minha parte. Foi interessante ainda elas mencionarem também sonhos correlacionados ao evento (“uma nave espacial com aparência de velha”), etc., informações essas não analisadas por mim por não ter detalhes de tais sonhos.
Aproveito aqui, também, para declarar o profissionalismo do operador de vídeo que acompanhou o Sr. Edson Boaventura Júnior. Seu trabalho foi exemplar e irrepreensível, capturando imagens completas e significativas das duas testemunhas nos ângulos de imagem certos. Sem essa forma de registro de imagem não seria possível minha avaliação. Observo que, na maioria das vezes, em situações semelhantes, tais filmagens de testemunhas não são tão precisas ou não deixam transparecer detalhes do rosto ou corpo das mesmas e nos tempos certos para que possam ser analisados adequadamente.
Referencia
ALMEIDA, Sérgio. O RELATO de Casos ufológicos feitos por suas testemunhas. 2026. 1 imagem, color. Ilustração gerada por inteligência artificial (Gemini/Google). Disponível em: ufologico.com.br. Acesso em: 26 maio 2026.