
Na noite de 29 de setembro de 2026, às 19h37, uma rotina de observação do céu no Mirante Ufológico, em São Sebastião da Aldeia, Abaeté/MG, resultou em um registro especialmente interessante. Logo na primeira fotografia da noite apareceu um conjunto compacto de pontos luminosos atravessando uma pequena faixa do horizonte oeste.
A imagem foi feita com uma Sony NEX-C3, lente ajustada em 20 mm, filtro IR, exposição de 15 segundos, f/3.5 e ISO 800. O conjunto pôde ser percebido por aproximadamente 30 segundos. Ele surgiu já formado naquela região, deslocou-se como um grupo e desapareceu ainda dentro do mesmo setor do céu.
A aparência lembrava imediatamente o conhecido “trem” de satélites Starlink. A coincidência chamou ainda mais atenção porque, no dia anterior, havia sido colocado em órbita um novo grupo de 26 satélites Starlink V3, identificado como 2026-225 / Starlink Group 31-1.
Desde 15 de dezembro de 2023 venho registrando sistematicamente passagens de objetos semelhantes a satélites a partir desse mesmo local. Em algumas noites já acompanhei cerca de 50 pontos individuais. As primeiras passagens costumam ser percebidas a aproximadamente 20° a 30° de elevação e, ao longo de cerca de uma hora, novas passagens aparecem progressivamente mais baixas, até a linha do horizonte. O que tornou a noite de 29 de setembro diferente foi justamente o aparecimento, pela primeira vez nessa mesma região celeste, de um conjunto compacto.
Para testar a hipótese, foram comparados o horário, as coordenadas do Mirante, a geometria da fotografia e os elementos orbitais dos 26 satélites. Uma primeira calibração da imagem colocou o rastro aproximadamente entre 265° e 273° de azimute e 8° a 12° de elevação. Em seguida, os elementos orbitais SupGP/SpaceX-E foram propagados segundo o modelo SGP4, segundo a segundo, entre 22:36:30 e 22:38:30 UTC — o equivalente ao período em torno das 19h37 em Minas Gerais.
O resultado mostrou forte concordância. Às 22:37:00 UTC, oito satélites já estavam dentro da região estimada da fotografia; 15 segundos depois, 16 objetos ocupavam esse setor; e por volta de 30 segundos, 18 atravessavam simultaneamente a caixa observacional. A extensão angular calculada para o conjunto também se aproximou dos cerca de 9° observados na imagem.
Outro resultado foi particularmente sugestivo: o modelo indica que os primeiros satélites começaram a perder iluminação solar e entrar na sombra da Terra justamente durante esse intervalo. Isso oferece uma explicação física para o fato de o conjunto ter surgido, permanecido visível por poucas dezenas de segundos e em movimento, desaparecido dentro daquele setor do céu.
A análise ainda será refinada por uma calibração astrométrica baseada nas estrelas da fotografia e por uma propagação independente de referência. Mesmo nesta fase, porém, a coincidência entre posição, horário, direção do movimento, extensão angular e condição de iluminação constitui uma forte correlação preliminar entre o registro do Mirante Ufológico e os 26 Starlink V3 do grupo lançado no dia anterior.
Foto e observação: Wilson Geraldo de Oliveira.